Em sua explanação sobre o surgimento das economias de mercado, Adam Smith argumenta: “O homem é um animal que faz barganhas”. Esse raciocínio decorre de um fundamento basilar de finanças, o custo de oportunidade, representado pelo benefício que um indivíduo, investidor ou empresa perde quando escolhe uma alternativa em detrimento de outra. Tomar decisões, portanto, exige trocar um objetivo por outro.

Em se tratando de dinheiro, a materialização do custo de oportunidade ocorre por meio dos juros – renda paga pelo usuário de certa quantia monetária àquele que cede o seu direito de uso dessa quantia. Para combater a crise financeira global, desencadeada pelo colapso do Lehman Brothers em 2008, muitos bancos centrais cortaram suas taxas de juros, chegando muito próximo de zero. Decorrido pouco mais de uma década de baixo crescimento, as taxas de juros permanecem baixas na maioria dos países, sugerindo um esgotamento das ferramentas convencionais de política macroeconômica.

Apesar de contraintuitiva e desafiando o senso comum, a adoção de taxas negativas de juros parece ser o novo normal. O banco central europeu e os bancos centrais da Suíça, Dinamarca, Suécia e Japão, dentre outros, as adotaram. Para Alan Greenspan, ex-presidente do Federal Reserve: “é apenas uma questão de tempo até que taxas negativas cheguem aos Estados Unidos”.

Em última instância, o objetivo dos juros negativos é evitar que o dinheiro fique “parado” nos bancos. Os alemães, inclusive, cunharam o termo “Strafzins”, ou “taxa de punição”, para se referir às taxas de juros negativas. De um lado, taxas negativas estimulam as instituições financeiras a emprestar o dinheiro. Do outro, encorajam indivíduos e empresas a gastar e investir seus recursos, ao invés de economizar. Na direção oposta, desincentivam a poupança – que alguns economistas afirmam ser indispensável à prosperidade de longo prazo -, ao mesmo tempo em que conduzem à tomada de riscos (por vezes desnecessários e exagerados), em busca de retornos acima da média.

A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) alerta que taxas de juros permanentemente baixas (ou negativas), projetadas como um impulso de emergência para economias em crise, são prejudiciais por longos períodos de tempo.

Ante um aumento na oferta de dinheiro, resultado de um quadro artificial de expansão monetária, os preços tendem a subir, enfraquecendo a economia. No limite, esse processo dá origem a atividades não-produtivas, por vezes denominadas “bolhas”, conduzindo a um inevitável enfraquecimento econômico.

Andriei José Beber é professor do MBA da FGV e conselheiro de administração certificado pelo IBGC.

Originalmente publicado neste site

Ronaldo Faria Lima on EmailRonaldo Faria Lima on FacebookRonaldo Faria Lima on GithubRonaldo Faria Lima on LinkedinRonaldo Faria Lima on Twitter
Ronaldo Faria Lima
Desenvolvedor de software há 23+ anos. Escreveu software para indústrias diversas, como telecomunicações e hospitality, em sistemas que variam de aplicações de missão crítica a sistemas embarcados em plataforma móvel celular.
Categorias: Startups

Ronaldo Faria Lima

Desenvolvedor de software há 23+ anos. Escreveu software para indústrias diversas, como telecomunicações e hospitality, em sistemas que variam de aplicações de missão crítica a sistemas embarcados em plataforma móvel celular.

0 comentário

Deixe uma resposta